Impactos na economia da Itália com a crise do coronavírus

Atualizado: Ago 7

Nas últimas quatro décadas, a Itália sofreu quatro recessões, viu sua dívida pública aumentar, passou por crises no sistema bancário e agora com o coronavírus, uma retomada na economia promete ser bem complicada para os próximos anos.




Eterna crise financeira


Desde 2008 a recessão italiana tem piorado, e sem crescimento, o país entrou em uma fase de total estagnação. A taxa atual de desemprego é de 9% e alguns estudos estimam que chegue em 12% após a pandemia, isso sem contar com o número de pessoas que não trabalham e não buscam emprego. Na Itália as famílias são muito unidas e é mais comum que os pais sustentem os filhos por mais tempo ou que mães optem por cuidar dos filhos e parem de trabalhar.


Além disso, o país enfrentou nos últimos anos uma grande evasão fiscal por causa do imposto sobre riqueza, alvo de muitas discussões e disputas políticas. Isso sem falar nos problemas que o país enfrenta com débito público.


Mercado de trabalho


Para quem pensa em vir para a Itália para procurar emprego, tenha em mente que a Itália está bem distante dos países mais buscados para esse fim como Inglaterra, Irlanda, Estados Unidos entre outros.


Se a sua mudança é focada em carreira e boas oportunidades profissionais com remuneração atraente, a Itália não é o lugar, a não ser que você seja de uma área específica que é forte na Itália como por exemplo vinicultura ou gastronomia.


Diferente do Brasil, a Itália não tem CLT ou carteira assinada, todos os trabalhos são formalizados através de um contrato que pode ser de curta ou de longa duração.

Isso gera instabilidade constante mas ainda é a melhor forma de se manter, para estrangeiros, a maior oferta é para trabalhos informais, principalmente se você não fala italiano ou tem algum visto e não a cidadania.


A Itália pós coronavírus


A Itália foi um dos países mais atingidos pelo coronavírus, a quarentena nacional durou 2 meses e isso trará várias consequências.

Algumas regiões chegam a ter 80% do seu faturamento ligado ao turismo, sabemos que em 2020 o turismo praticamente não existirá na Itália e em muitos países.


Só no comércio trabalham 15% da população italiana, que é responsável por 12% do PIB.

O Banco de investimento suiço UBS, citado pelo Financial Times, estima uma queda anual de 0,4% a 0,8% do PIB esse ano.


Todo o setor de turismo na Itália representa mais de 40 milhões de euros à economia e os chineses estão em quarto lugar no ranking de visitantes.

Com receio de cancelamento de voo, fechamento de fronteiras e novas ondas do vírus, a maior parte das pessoas deixará destinos internacionais para 2021.


Com isso, já sabemos de cidades inteiras na Itália que viverão de auxílio do governo ao longo de 2020 e com isso, muitos não conseguirão reabrir suas portas na próxima temporada, aumentando o desemprego.


O que dizem os especialistas


Jack Allen-Reynolds, economista da consultoria inglesa Capital Economics aposta em uma queda na economia de 1% dos primeiros três meses do ano e mais 1,5% de abril a junho. Caso a quarentena nacional de estenda até junho, o prejuízo no segundo semestre poderá chegar a 4,5%.

Fonte: The Guardian


O JP Morgan tem uma previsão mais pessimista chegando em uma queda de 7,5% da produção apenas no primeiro semestre, comparado aos últimos três meses de 2019.


O Italiano Wolgango Piccoli da consultoria global Teneo afirma que a economia inteira vai sofrer com com um prejuízo sempre maior no turismo e serviços.

Ele destaca que o Veneto e a Lombardia, entre as regiões mais atingidas da Itália, valem juntas 32% do PIB italiano e 40% das exportações, o que torna o cenário ainda mais crítico já que foram justamente as regiões com a quarentena mais rígida e longa do país.

Fonte: Observador



Nem tudo está perdido...


A maioria dos economistas e especialistas em crise que acompanhamos, afirmam não acreditar em um impacto estrutural. Eles apostam na rápida retomada após a crise do coronavírus.


A Itália é a guardiã de 70% do patrimônio histórico e cultural do mundo, não é razoável pensar em qualquer crise no turismo a longo prazo.


Precisamos lembrar que a fraqueza da Itália é também sua força. Não é a toa que o país tem uma boa parte da economia dedicada ao turismo.

A gastronomia, a vinicultura, as belezas naturais, o patrimônio histórico, artístico, cultural, o clima apaixonante de um país que é amado no mundo todo... não temos dúvidas de que após a pandemia, a Itália voltará a ser um dos países mais visitados do mundo.


Por: Patrícia Siviero

Categorias: Itália


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